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Olorin (argila fria polida com missanga, aprox. 28 cm) habita uma densa floresta desconhecida na região, como reza a visão poética do escultor: um misterioso ser chamado Ancião, que molda a terra como germina o grão, pra não esperar o papel de escrever em vão. Essa totêmica presença agachada, com cabeça alongada ritual e olhos amendoados vigilantes, emerge como guardião primordial – nariz aquilino e boca serena evocam sabedoria telúrica, enquanto o círculo oco peitoral abre portal ao etéreo, e missangas policromas (azuis celestiais de transcendência, vermelhos vitais de terra, verdes ancestrais) tecem amuleto contra o efêmero.

 

A argila fria, polida com maestria, contrasta texturas ásperas entalhadas com lisura das missangas, ancorada em folha seca como raízes cósmicas; luz lateral nítida projeta sombras que aprofundam sua forma 3D, gerando atmosfera enigmática de reverência primal. Filosoficamente, ressoa com Heidegger em A Origem da Obra de Arte (1935), onde a coisa (Ding) revela o ser-da-terra contra o mundo técnico, ou Lévi-Strauss em O Pensamento Selvagem (1962), mediando mito e matéria – aqui, o Ancião resiste à obsolescência programada de emoções (ecoando a pintura Chetaba), cultivando laços resilientes com o grão germinante da existência.

 

Sustentável em argila natural e missangas reutilizáveis, critica o descartável contemporâneo, propondo eternidade tátil. Ideal para colecionadores etnográficos ou minimalistas espirituais, eleva espaços a santuários dialógicos. Adquira Olorin e invoque seu moldar ancestral.

Olorin

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